segunda-feira, 12 de março de 2007

Caillou e o meu tio AVOH

Este eh o gato Caillou, o gato da minha Sofia, ele adora beber agua na torneira pingando, as vezes ele fica ate sem querer beber a agua dele na propria vasilhinha para ir numa torneira morto de sede.
O Caillou me faz lembra meu tio-avoh, tio da minha mae, que morreu com 96 anos e nunca viu agua escorrer por uma torneira.Tambem nunca viu uma lampada eletrica.
Este meu tio avo era chamado de Meninao, por ter nascido muito grande e quando crian;ca tambem era sempre mais alto do que os outros da mesma idade.O nome dele era Francisco, mas nunca foi chamado por ninguem por este nome; alem de ter nascido grande nasceu surdo e consequentemente foi mudo a vida inteira.Ele tambem nunca dormiu numa cama, dizia por gestos, claro, que cama era ''coisa de mulher'', dormiu na rede ate o dia da sua morte , 96 anos de muitas estripulias.Nunca casou pois a minha avo que tomava conta dele, dizia que se casasse a mulher ia faze-lo de corno....assim foi um celibatario
pura maldade de minha avo.ele morreu primeiro do que minha avo.
Quando nos eramos criancas e iamos passar as ferias la na fazenda no CARIRI DA PARAIBA,era ele quem cuidava de fazer nossos brinquedos ; tudo de madeira:
cavalo de pau,
gangorra
pau de sebo
cachimbos (que nos fumavamos cha mate, escondido)
escorregador
balanzos
e nao podiamos fazer cara feia para ele, pois se fizessemos ., ele fazia
ou minha mae ou minha avo bater na gente com aquele rebenque de bater em cavalos e ficava rindo com a gente chorando.
Na epoca de Sao Joao, sempre iamos passar as festas por la, comer milho verde assado na fogueira, milho cozido , tudo feito no fogao de lenha,cangica , pamonhas e soltar fogos.
A noite na hora de soltar os fogos ele sempre dava um jeito de pegar sapos CURURUS, da beira do azude e botava um tissao de fogo na bunda dele para ve-lo pular na escuridao , e ficava rindo da agonia do bicho se queimando e pulando.E nao tinha ninguem que o impedisse de fazer tal coisa, ele era alto e forte, tinha barba grande ,
ele
tambem gostava de fazer as cercas bem altas com as escadas altas e ficar olhando as mulheres com as latas dagua na cabeca tentando passar de um lado para o outro, nem as gravidas escapava dele.Tenho que dizer que no CARIRI
da Paraiba as vezes ficava anos sem chover, e tinham que pegar agua nos azudes dos fazendeiros mais abastados ou em pequenos pozos artesianos,
que em geral so havia nas fazendas maiores, como era o caso da minha avo.
A historia dele mais marcante era sempre narrada por minha mae, que ja ouviu da mae dela:
_Quando ele tinha 20 anos era ele quem ia na cidade proxima(Cabaceiras), buscar a feira de estiva da semana. a feira das coisas que nao se produzia na fazenda,tipo, farinha de mesa,acucar preto, rapadura,fumo de rolo, (pois todos fumavam cachimbo),e sei la mais o que.....contece que numa dests idas dele a cidade,deram cachaca para ele, ficou embriagado e nao voltou para casa (a fazenda ficava a 18 kms da cidade).e meu bisavo preocupado, no fim da tarde vai ver o que aconteceu e encontrou-o totalemnte bebado fazendo macacaquices e todos rindo em volta,,
simplesmente meu bisavo deu uma surra tao grande nele com o rebenque de bater em cavalos, na frente de todo mundo que nunca mais ele voltou a cidade, so morto, para ser enterrado, e foi entrerrado dentro de uma rede, sem caixao, como era o costume deles.AOS 96 ANOS!
eu adorava este meu tio avo!

3 comentários:

Harijan disse...

E você nunca comentou nada sobre ele pra gente.

José Wilson disse...

Que historia legal.
Adorei!
rsrsrsrsrsrsrsr

Rosana disse...

Ah, meu gato chicao tbem so bebia agua corrente, de torneira, eu nem colocava pote de agua q nao adiantava nada. lindoooooo

este eh um diario atraves de imagens. a cronologia nunca sera a mesma. ele tanto pode estar no passado como no presente mas sempre com o futuro como meta, como se fosse O OLHO REAL.